Histórias Proibidas
  

Diário pessoal, 11 de Maio de 2008 as 04h15m AM

 

Já tem um tempo que não escrevo diários pessoais, tudo começou com a minha entrada na universidade e a conseqüente total falta de tempo, são muitas pesquisas e trabalhos a se realizar, na verdade um bom modo de se livrar das provas.

Bem, não é bem isso que eu desejo deixar registrado aqui neste momento, a verdade é que já são quatro e quinze da manhã e acabo de acordar, no meu sonho eu havia pegado um ônibus errado para ir à universidade e por decorrência disso acabei não conseguindo chegar.

Acordando de manhã cedo na minha velha casa, casa esta que por sinal não existe mais, casa esta onde moravam meu tio e sua finada mãe, olhando para um antigo relógio de parede dado por minha mãe à sua sogra, vejo que já eram seis e meia da manhã, caminhei pelo corredor comprido até a cozinha, um detalhe interessante era que a casa apesar de ser de madeira a cozinha era de ovenaria, chegando lá dava para ver a minha falecida avó através de uma espécie de porta deitada em seu quarto, ela abriu um pouco os olhos e disse “-Vai se deitar, ainda é cedo-” mesmo embora tanto naquela época quanto hoje em dia seis e trinta já era considerado tarde, pessoalmente, nos dias de hoje, eu costumo acordar por volta de cinco e meia da manhã, no sonho haviam algumas bocas do fogão que ainda estavam acesas -teria passado a noite toda assim- perguntava a mim mesmo temendo que, ou meu tio ou minha avó pudessem despertar de fato e ir até lá ver o que estava fazendo, alguma coisa me dizia que tudo estara assim por minha causa, apaguei os fogos, guardei as panelas, coloquei tudo na geladeira e fiquei um tempo lá parado olhando para minha avó deitada em sua velha rede de tecido grosso, ela se negara dormir em cama por motivos que até hoje desconheço, alguma coisa dentro de mim dizia que havia algo errado naquela situação, seria eu fora de tempo, ou eu inserido ali naquele momento, -Algo estava fora de época- pelas janelas não conseguia ver as casas da vizinhança, somente podia ver um turvo laranjado condizente com minhas lembranças daquela época...

Quando minha avó faleceu, eu estava no colégio estudando no turno da tarde, por sinal numa sala onde eu nunca havia estudado, meu pai chegou e conversou com a minha professora, eu não esperava vê-lo naquele momento nem sabia o motivo por ele estar lá, a professora me chamou para falar com ele, quando me dissera logo em seguida que ela havia falecido no hospital, aquilo foi um choque na época, não tanto pelo fato da tristeza de saber sobre seu falecimento, mas pelo fato de ter-mos brigado antes de ser levada ao hospital, eu sabia que nunca mais a veria viva e que nunca mais pudesse pedir desculpas pelo que dissera a ela, na época eu devia ter meus quatorze anos, não me lembro, ela morreu chateada comigo tanto quanto eu com ela, não me recordo o motivo da discussão, mas deduzo que fosse devido a sua avançada esclerosisse.

Já são quase seis da manhã, levei muito tempo para por a mente no lugar e escolher as palavras certas para a composição deste diário, fora o fato de não ser muito bom em relembrar eventos de sonhos, me sinto agora um pouco entristecido, acho que deve ser as conseqüências dos sonhos e recordações desencadeadas e combinadas com as músicas que eu baixei ontem do Johnny Cash, uma delas até fazendo par com Bob Dylan. Quando eu escuto esse cara cantar, eu passo a pensar sobre a morte, mas de uma maneira meio obscura, desolada e inevitável, um mundo sem ninguém além de mim prestes a morrer, onde todos já se foram menos eu, acho que é algo sobre meu próprio fim e das pessoas a quem gosto, faz com que eu me sinta diante de algo que faz-me temer, mas que não me impede de continuar olhando, muito menos me faz fugir, são coisas estranhas inseridas em minha mente que só eu entendo, que não consigo ou não me atrevo colocar no papel, sintetizar em palavras, acho que deve ser a inerência do medo que sinto.

Ainda não entendi porque meu relógio biológico inicializou meu sistema fisiológico as quatro e quinze, terá sido a janta de ontem, um frango frito por fora e meio cru por dentro, ao ir no banheiro percebo que não tem nem sabonete e nem pasta de dente, não tem problema, vou visitar algum amigo que não vejo há algum tempo e pegar alguns sabonetes e pasta de dente, depois eu devolvo.

A música acabou...



Escrito por J. F. Souza às 11h37 AM
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